Marítimos podem fazer "operação padrão" na travessia durante o Carnaval por melhores salários e condições de trabalho



Postado em: 04/02/2016


Os trabalhadores da travessia por balsas entre São Sebastião e Ilhabela podem iniciar uma “Operação Padrão” ainda durante o Carnaval. Os motivos seriam as condições de segurança das embarcações e a grande defasagem salarial. A Dersa, responsável pelo serviço, informou que todas as balsas estão atendem à legislação e Internacional Marítima, que opera o sistema, destacou que a data base da categoria é em fevereiro.

O presidente do Sindmestres (Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e dos Contramestres em Transportes Marítimos) e secretário da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Valter Martins Ramos e o diretor procurador do Sindfogo (Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Convés e Moços de Máquinas em Transportes Marítimos e Fluviais). Eduardo Ignácio Castro da Silva, explicaram a situação ao portal RADAR LITORAL. Segundo eles, se as reivindicações não foram atendidas, uma “Operação Padrão” pode ocorrer ainda durante o Carnaval, aumentando a dificuldade na travessia.

De acordo com os sindicalistas, os salários nas travessias “estão deteriorados. A Dersa e a Internacional fazem vistas grossas e jogam a responsabilidade de uma para outra”, afirmou Ramos. No que diz respeito à questão salarial, a reivindicação é de que seja aplicada uma das quatro tabelas nacionais encaminhadas às duas empresas. Segundo os sindicatos, a defasagem é superior a 100%.

Um comandante na travessia recebe cerca de R$ 2.400,00, enquanto o piso nacional é de cerca de R$ 5.000,00. Um marinheiro de máquinas recebe R$ 1.700,00, enquanto o piso é de cerca de R$ 3.500,00.

Outro ponto abordado pelos sindicalistas são, segundo eles, as péssimas condições das balsas. “Não há condições mínimas de trabalho e nem de segurança para a tripulação garantir a salvaguarda da vida humana no mar”, afirmou Silva, do Sindfogo.

“Fizemos inspeções nas embarcações e há problemas de governo, fundeio e propulsão e praças de máquinas estão em condições sub-humanas. Faltam condições para operar as balsas e vale ressaltar que o comandante e a tripulação são os únicos responsáveis pelas embarcações”, afirmou o presidente do Sindmestres.

De acordo com os diretores sindicais, caso não haja um posicionamento das empresas, a categoria deve realizar assembleias extraordinárias durante o Carnaval para votar a realização de uma “operação padrão” nas travessias. “Isso significa que poucas balsas estarão trabalhando, pois a tripulação só operará aquelas que estiveram em perfeitas condições”, afirmaram eles.

Outro lado

Por meio de nota, a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) informou que todas as embarcações que operam na travessia São Sebastião-Ilhabela, assim como nas demais travessias litorâneas do Estado de São Paulo, “estão aptas à navegabilidade e ao transporte de veículos e passageiros e gozam de situação regular junto à Autoridade Marítima”.

Segundo a empresa, desde 2011 já foram investidos pelo Governo do Estado de São Paulo mais de R$ 60 milhões na Travessia São Sebastião-Ilhabela, incluindo a aquisição de duas embarcações e reforma de outras cinco, construção de novo flutuante, aquisição de novos motores e reversores, e implantação de sistema de comunicação. “Tudo isso garantiu aumento de 40% na capacidade operacional e redução de 18% na idade média dos ferryboats”, cita a nota.

Sobre as questões trabalhistas, a Dersa afirmou que exige de todas as suas contratadas o cumprimento integral das leis, bem como o respeito aos direitos e as boas condições de trabalho.

“É importante ressaltar que as travessias mantêm seus serviços dentro da normalidade”, concluiu o comunicado.

Já a Internacional Marítima informou que possui acordo coletivo firmado com o sindicato da categoria. “A data base da categoria é em Fevereiro de cada ano. Neste sentido, a Internacional Marítima LTDA. aguarda que o Sindicato da categoria envie pauta de reivindicação para que possa analisar".

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