Na Semana da Cultura Caiçara, Câmara de Ilhabela faz homenagem a moradores



Postado em: 12/05/2022


A Câmara de Ilhabela homenageou, na sessão ordinária da última terça-feira (10/5), personalidades caiçaras que prestaram relevantes serviços à Cultura Regional. As homenagens sempre acontecem na segunda semana de maio, Mês da Cultura Caiçara, em conformidade a Lei 999/2013, e as personalidades caiçaras recebem o Certificado de Reconhecimento Público.

O vereador Felipe Gomes homenageou a senhora Dinéia André Costa Oliveira. Nascida e criada na Ilha dos Búzios, é conhecida por estar sempre disposta a acolher as pessoas em suas necessidades, seja com uma palavra amiga, uma conversa ou com o que estiver ao seu alcance. Da união com o pescador Edenor de Oliveira, nasceram seus três filhos: Elaine, Eleandro e Evandro, todos criados na Ilha dos Búzios. Apesar das dificuldades em morar em uma comunidade distante do continente, ela transferiu para os filhos o amor pelo lugar onde nasceu e a valorização da cultura a qual pertence.

O acesso à ilha é possível apenas pelo mar, o que impede que os moradores deixem o local em dias de mau tempo. Mas, ainda assim, para Dinéia, ser caiçara é uma honra e uma benção. Há oito anos trabalha como auxiliar de limpeza na Escola da Comunidade Tradicional de Porto do Meio, podendo fazer a diferença também na vida das crianças, mostrando para os pequenos que desde cedo é importante superar as adversidades e ser feliz no lugar onde estão as suas raízes.

O vereador José Pereira da Silva (Zé Preto) agraciou o senhor Roberto Lourdes do Nascimento, mais conhecido como “Timbada”. Caiçara legítimo é pai de três filhos e avô de cinco netos. Iniciou sua vida profissional na pesca junto com seu pai e em 1980 foi servir ao quartel da Marinha do Brasil onde ficou por um ano. Logo após entrou para a Marinha Mercante na Petrobras, onde sua carreira foi curta, pois em 1985, após uma fatalidade, um grave acidente de moto o impediu de continuar e se aposentou aos 23 anos de idade. Em 1996 ingressou na vida política e por ser de família tradicional caiçara sempre viveu voltado para a pesca. Em meados de 1999 assumiu a Colônia dos Pescadores como presidente por 12 anos consecutivos , onde trouxe para o município o  primeiro “Seguro Pesca” ajudando  a muitos pescadores. Candidatou-se e disputou sua primeira eleição e com êxito ocupou a cadeira de vereador dessa Casa de Leis por quatro mandatos seguidos e sua trajetória na vida pública foi de grande importância para Ilhabela.

O artista plástico Gilmar Gomes Pinna foi homenageado pelo vereador Gabriel Rocha, mas não pode estar presente, sendo representando por sua família. Autodidata, iniciou sua carreira artística aos 10 anos realizando esculturas em areia e aos 12 anos conquistou o primeiro Prêmio de Escultura em Areia do Litoral Norte Paulista. O passo seguinte foi ingressar nas esculturas em metal. No início dos anos 70, incentivado pelo pintor e desenhista basco Fernando Odriozola, de quem se tornou amigo e admirador, começou a participar de concursos e salão de artes, conquistando vários prêmios.

Em 1976, realizou sua primeira mostra individual, na Galeria Vanguarda, em São Paulo e desde então passou a elaborar trabalhos sob encomenda para diversos colecionadores e empresários, no Brasil e no exterior, contando atualmente com diversas obras expostas em praças públicas na Itália, Suíça, Espanha e Portugal. Já realizou, a convite do Governo Municipal de Chicago (E.U.A.), palestras em escolas públicas, além de executar obras para algumas entidades americanas como: High School de Highland Park, Nature Preservancy (Ong americana de preservação da natureza), entre outros. Em 2007 foi nomeado por esta Casa de Leis, Embaixador Cultural de Ilhabela, por relevantes trabalhos de divulgação e contatos culturais realizados entre Ilhabela e outros municípios tanto brasileiros como no exterior, onde se destaca o tratado de “Cidades Irmãs” firmado entre o município de Lousada, em Portugal e Ilhabela, para intercâmbios Culturais, Educacionais e de Turismo, entre outras ações.

Gilmar e sua família são devotos de São Benedito e partipam ativamente da organização e realização da Congada e Ucharia, uma das manifestações cultural e religiosa mais importante do municipio. O caiçara, Embaixador Cultural de Ilhabela e Professor Honoris Causa do Centro Universitário Metropolitano de São Paulo, é tratado com muito respeito por todos os lugares onde passa e executa seu trabalho de arte em escultura.

O vereador Edilson dos Santos (Edilson da Ilha) indicou para receber o certificado o senhor Daniel Julião Corrêa. Daniel viveu uma infância muito sadia, filho de pais caiçaras e avós náufragos, franceses e portugueses, cresceu com três irmãos e três irmãs. Ajudava sua mãe, que exercia o trabalho de criação de gado, plantação e frete de carro de boi, levando cana de açúcar e outros insumos do bairro do Portinho para as fazendas e engenhos de pinga nas décadas de 50 e 60. Em uma de suas propriedades estabeleceu um enorme bananal, intitulado bananal do Portinho aonde produzia e fornecia banana para os municípios de São Sebastião, Santos e para o mercado situado na Vila em Ilhabela, sendo a produção escoada por grandes canoas de voga.

Na adolescência costumava também ajudar seu pai que era barbeiro. Na fase adulta, por volta dos anos 70, com a evolução da cidade e das tecnologias de trabalho, foi buscar seu sustento na cidade vizinha de São Sebastião. Passou num concurso da Petrobras e seguiu carreira até se aposentar como Petroleiro. Paralelamente exercia também a função de Estivador no Porto de São Sebastião na qual também se aposentou. Daniel sempre cuidou para que sua cultura caiçara não se perdesse e escreveu diversos poemas, peças de teatro, contos e músicas com o tema caiçara de Ilhabela, extremamente conhecedor de histórias, lendas, fatos e acontecimentos. Um cidadão marcado por lutas e conquistas, um homem que não desiste e que busca sempre o melhor para a vida de todos. 

Foi homenageado pelo vereador Alexander Augusto (Leleco Augusto), o senhor Benedito Avelino dos Santos. Conhecido popularmente como Bidico, tem 89 anos e exerceu a atividade da pesca desde seus 15 anos de idade, o que foi herdado dos seus pais. Bidico se casou com Neusina Costa com 19 (dezenove) anos e teve 11 (onze) filhos, e foi trabalhando com a pescaria que conseguiu sustentar a sua família e adquirir a sua atual residência. Além de trabalhar com a pescaria, sempre folião dos carnavais de Ilhabela e participou de muitas escolas e desfiles. Atualmente, aposentado, não exercendo a pescaria habitualmente, começou a fazer trabalhos artesanais, sob encomenda, como rede de pesca, cesto, entre outros, que se tornou uma paixão. Seu Bidico presenciou a evolução deste município, contribui com a pesca local e participou de vários eventos culturais, prestigiando e contente pelo o avanço da cidade que nasceu.

O vereador Donato dos Santos Silva (Viola) indicou como homenageado o senhor Claudemir de Souza. Seus avós maternos e paternos, assim como seus pais, nasceram e sempre viveram em Ilhabela, no bairro do Portinho e para consumo próprio cultivavam na roça a banana. Seguindo a tradição de sua família, sua vida sempre foi voltada para o mar. Trabalhou durante 35 anos embarcado e quando estava em terra praticava a pesca artesanal para ajudar os pais. Seus avós que construíram a Igreja de Santo de Antônio localizada em frente a praia do Portinho, e antes de falecer fizeram a doação da propriedade. Hoje, aposentado, o mar se tornou um hobby para ele.

Indicação do vereador Alessandro Vieira (Alessandro Abençoado), o senhor Benedito de Oliveira Doria, é de família tradicional do bairro do Portinho onde vive até hoje. Dito Dória, como é conhecido, conta que seus pais viviam da pesca e do plantio de mandioca e feijão, seu pai também era remador e para contribuir na despensa e sustento da casa, transportava pinga até a cidade de Santos onde fazia trocas por outras mercadorias. Desde pequeno Dito trabalhou na roça e na agricultura com a família, mas nunca deixou de lado seus estudos, após concluir o ensino médio ele ingressou na Marinha de guerra e concluiu sua carreira na Marinha Mercante Brasileira, após 22 anos, quando se aposentou. Após aposentar, foi convidado para trabalhar como diretor das Comunidades Tradicionais e nesse cargo ficou por 12 anos.

Enquanto diretor manteve um vínculo maior com as comunidades e consequentemente com os caiçaras, o que deu a ele a oportunidade de conservar e valorizar ainda mais a cultura caiçara, a sua cultura. Junto com sua família, tem mantido raízes fortes com cultura da cidade, no sitio da família junto com a esposa, filhos e netos, mantém o plantio de alimentos orgânicos, hortaliças, plantação de banana e até hoje mantém a tradição de fazer farinha de mandioca, tudo de forma manual. Seu desejo é de que essa tradição seja passada as suas gerações futuras, para sempre lembrarem e valorizarem do lugar onde ele nasceu, cresceu, constituiu sua família e tem muito orgulho. Com seus filhos que tem formação superior, iniciaram um projeto social totalmente voluntário, onde recebem crianças da comunidade e da escola em seu sítio e ali ensinam e mostram como tudo acontece. Foi a forma que encontrou para dar as novas gerações à oportunidade de aprender e conhecer mais das tradições da cidade, para fortalecer a cultura e cultivar o legado caiçara.



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