Polícia Federal faz operação no Hospital de São Sebastião e na Prefeitura de Ilhabela no desdobramento da "Operação Torniquete"



Postado em: 19/04/2018


Desde as primeiras horas desta quinta-feira (19/4), equipes da Polícia Federal fazem uma operação em São Sebastião e Ilhabela. Policiais estiveram no Hospital de Clínicas e uma equipe está na Prefeitura do arquipélago. O Radar Litorou apurou e a ação é um desdobramento da "Operação Torniquete".

Em São Sebastião, uma equipe esteve no Hospital de Clínicas de São Sebastião, onde recolheu diversos documentos. Policiais Federais estão neste momento em frente á Clínica Pinheiros, localizada na Rua Auta Pinder.

Há diversas viaturas em frente à sede da Polícia Federal e a rua está isolada. As primeiras informações dão conta de que se trata de operação na área da saúde. Já em Ilhabela, policiais federais estão na Prefeitura de Ilhabela, mas ainda não há informações sobre a ação.

"Operação Torniquete"

No final de novembro do ano passado, a Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Ministério Público Federal deflagraram  a "Operação Torniquete", que investiga uma possível organização criminosa responsável por uma série de irregularidades cometidas em São Sebastião  durante as duas gestões do prefeito Ernane Primazzi, que exerceu mandatos entre os anos de 2009 a 2016, envolvendo, principalmente, recursos da saúde e obras públicas. A operação visa desvendar esquema de propina em contratos da Prefeitura de São Sebastião entre 2009 e 2016. Segundo a PF, fraudes envolviam alto escalão do governo municipal e eram coordenadas pelo então prefeito.

A investigação iniciou-se em 2016 com a finalidade de apurar denúncias de desvios de recursos públicos repassados pelo Município de São Sebastião ao Hospital de Clínicas de São Sebastião, sob intervenção municipal desde 21.de agosto de 2007. No decorrer da investigação, contudo, além de irregularidades na intervenção havida no Hospital de Clínicas, descortinou-se um cenário de corrupção sistêmica, envolvendo secretarias municipais e contratos firmados com diversas empresas prestadoras de serviços. Interceptações telefônicas e escutas ambientais feitas pela Polícia Federal indicaram a participação direta de integrantes do da administração e outros servidores públicos municipais.

Foram detectados, até o momento, aproximadamente R$ 400 milhões em contratos públicos suspeitos e estima-se um desvio de mais de R$ 100 milhões por meio do superfaturamento de serviços, serviços remunerados porém não realizados, ou serviços prestados com qualidade/quantidade inferior à estipulada no contrato. Foram afastados temporariamente da função pública 10 servidores públicos; 16 (dezesseis) investigados foram proibidos de frequentarem as dependências de órgãos municipais e de se ausentarem do país, estipulando até 24 horas para a entrega de seus passaportes na Polícia Federal. Estão sendo cumpridos 39 mandados de busca e apreensão em órgãos públicos municipais, empresas e residências de investigados nas cidades de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba, São José dos Campos e São Paulo.

Ainda em novembro do ano passado, o ex-prefeito de São Sebastião, Ernane Primazzi, concedeu uma entrevista ao Radar Litoral e à equipe da Rede Vanguarda sobre a “Operação Torniquete”. “A gente foi pego de surpresa, até então a gente nunca foi chamado para fazer nenhum depoimento, esclarecimento ou coisa parecida”.Ele informou na ocasião que na operação dois notebooks, dois tablets e seu celular foram levados para verificação. Questionado sobre o suposto desvio de mais de R$ 100 milhões de seu governo, citados pelo delegado responsável pela operação durante a entrevista coletiva na Polícia Federal, o ex-prefeito Ernane Primazzi disse que não sabe a que se refere e que não viu os autos do processo. “Não temos conhecimento de nada disso daí, vamos tentar ver qual acusação, quem é que tem, onde está essa grana”. Dias depois, ele prestou depoimento na PF.

 



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