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Câmara questiona atraso em exames na saúde; diferença de valores praticados por empresas é debatida


Postado em: 08/02/2018

A Câmara de São Sebastião aprovou por unanimidade na primeira sessão ordinária do ano, realizada na noite de terça-feira (6/2), um requerimento do vereador Gleivison Gaspar (PMDB) que questiona atrasos na realização de exames. Durante a sessão, o presidente da Câmara, Reinaldo Alves Moreira (PSDB), o Reinaldinho, ressaltou que recentemente foi contratada uma nova empresa após processo licitatório e relatou diferença de valores praticados em comparação à antiga prestadora de serviço. O Radar Litoral questionou a Prefeitura sobre tal situação e também entrevistou o diretor da Ecorad.

Na sessão desta semana, Reinaldinho Moreira apontou as diferenças de valores. “O Comus já apontava que existiam exames superfaturados”, disse o presidente na sessão.

A nova contratada é a CADI, com sede no bairro do Porto Grande, e a empresa anterior a Ecorad, que fica na Rua Cristovão Soares, atrás do hospital, no Centro. Reinaldinho citou como exemplo o exame de densitometria óssea que, segundo ele, pelo novo contrato, custa R$ 68, enquanto que no anterior custava R$ 106.

Líder do governo na Câmara, o vereador Edvaldo Pereira Campos (PSB), o Teimoso, disse que a população está sendo atendida e os exames realizados. Já o vereador Ernaninho Primazzi (PSC) disse que espera um posicionamento oficial da antiga prestadora de serviço, a Ecorad. “Quero que se explique. Ou uma superfaturou ou a outra será muito meia boca”.

O que diz a prefeitura

O Radar Litoral entrou em contato com a Prefeitura que, em nota, “esclarece que recentemente foi realizada uma licitação para a aquisição de exames radiológicos e a empresa CADI foi à vencedora do certame com um contrato que reduziu significativamente os valores pagos anteriormente, chegando a quase 500% de redução em alguns procedimentos como, por exemplo, tomografia de coluna cervical onde o município pagava R$ 354,84 e passou para R$ 67,32. Para se ter ideia, o valor global do contrato passou de R$ 3.241.369,00 para R$ 1.501.463,35”, diz a nota.

Sobre atrasos na realização de exames, a nota enviada pela prefeitura diz o seguinte: “em relação aos exames, a Secretaria Municipal de Saúde está em um processo de readequação das agendas para a total migração das solicitações feitas entre a empresa que prestava serviços anteriormente (Ecorad) e a nova empresa vencedora da licitação que, segundo informou à Sesau, vem realizando exames por meio de um mutirão de atendimentos na tentativa de sanar a lista de espera, por exemplo, dos exames de ultrassonografia e mamografia, totalizando 170 exames”.

Quanto aos exames de raio-x, “a Secretaria de Saúde informa que os mesmos continuam sendo realizados pela empresa anterior e estão sendo direcionados gradualmente à CADI”. A Secretaria de Saúde informou ainda que “a realização de exames de endoscopia e colonoscopia, feitos pela empresa Ecorad, está em atraso, já que a própria empresa alega não ter profissional para a realização destes exames, que hoje totalizam 130. Esta informação é passada para a central de Regulação do Município e a Secretaria de Saúde informa que está em tramitação um novo processo licitatório para sanar, de vez, este problema”.

Diretor da Ecorad explica diferença de valores, contesta licitação e pedirá uso de tribuna da Câmara

Em entrevista ao Radar Litoral na tarde desta quinta-feira (8/2), o diretor da Ecorad, Dr. Edson Cardin Nogueira, falou sobre a diferença de valores praticados na realização dos exames, contestou a licitação feita no final do ano passado pela prefeitura e disse que pedirá direito de resposta na Câmara de São Sebastião. Ele salientou que sua empresa presta serviço ao município desde 2012 com diversos tipos de exames, entre eles, imagem e cardiológicos.

Quanto aos valores, ele explicou que na época da licitação em 2012 o edital previa valor de mercado, com menor preço global. Ainda segundo o diretor, a licitação realizada no dia 28 de dezembro de 2017 utilizou como referência a tabela SUS e menor preço por lote. Conforme explicou, os valores serão impraticáveis.

“No ano passado fizemos 90 mil exames. Tenho cargo no Comus (Conselho Municipal de Saúde) e nunca ninguém falou da conta da Ecorad. Todos os nossos contratos foram cumpridos e averiguados. Tanto que o atual prefeito prorrogou por mais um ano, vencendo somente no dia 26 de março de 2018”, enfatizou o Dr. Edson Cardin.

Ele salienta que a recente licitação dá margem para aditamento. “Ninguém trabalha com essa tabela”, reafirma. O médico ainda lembra da necessidade de investimentos constantes em tecnologia, com a substituição de aparelhos. “Temos um aparelho aqui, único na região, que mede a dureza do tecido, identifica fibrose sem necessidade de biopsia”, citou.

O diretor da Ecorad disse à reportagem do Radar Litoral que contestou na Justiça a licitação realizada em dezembro pela prefeitura, que teve a CADI como vencedora. “Um edital cheio de nulidades e não deram os esclarecimentos. Entramos na Justiça e pedimos a impugnação”.

Para ele, os atrasos nos exames se devem ao que chamou de ‘represamento’. “Meu contrato vai até dia 26, mas represaram para a nova empresa”, declarou o médico, que pedirá o uso da Tribuna da Câmara. “Já pedimos uma vez, mas nos negaram. Vamos solicitar novamente”, concluiu Dr. Edson Cardin Nogueira, que é médico cirurgião, ginecologista obstetra, médico do trabalho e perito judicial há 28 anos.



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