Luis Gava/PMC

Neurociência na Educação é tema de palestras para professores de Caraguá


Postado em: 08/02/2018

Dois educadores renomados no país abriram o ano letivo dos professores da rede municipal de Caraguatatuba com palestras sobre Neurociência na Educação, no Teatro Mario Covas. O evento foi realizado na noite de quarta-feira (7/2) e proporcionou um amplo debate.

Um bate-papo com o neuropedagogo e doutor em Educação e Ciências Sociais, Luís Vicente Ferreira, que falou sobre 'Neurociências e Aprendizagem', abriu a programação. De acordo com o professor, a aprendizagem está nas emoções e uma das atividades que mais desenvolve o cérebro é a música. "Uma prática que deveria começar na Educação Infantil", afirmou.

Para Luís Vicente, "a boa aula é aquela que você faz, sente e depois pensa". Como o cérebro mantém a atenção por 12 minutos, sugeriu que os professores dividam a aula em vários recursos.

"Os estudantes precisam desenvolver competências e não decorar apenas conteúdos. As aulas devem proporcionar atenção, interesse, desejo e ação, ou seja, práticas pedagógicas diferenciadas. Trabalhem com ensino híbrido (mesclar tecnologia com trabalhos em grupos e experimentos), deixem o aluno por a mão na massa", sugeriu.

Na terça (06/02), o encontro foi com Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música, que abordou o tema 'A Aplicação da Neurociência na Docência e na Aprendizagem'.

Para a educadora, a ciência é a peça mais importante na educação é o professor. "Vocês são responsáveis por formar memórias nos alunos. A construção do conhecimento é em cima daquilo que sabemos. Precisamos de registros. Temos que aprender a fazer o registro. Temos que ensinar o aluno a estudar. No Português, o aluno tem que saber verbo, adjetivo, substantivo, etc. Na Matemática, a base é saber multiplicar, subtrair e adir. Uma base sólida é fundamental", ressaltou.

Ela também foi categórica quanto ao uso de celulares e tabletes na educação: "Até os dois anos de idade, nada que tenha tela deve estar ao alcance da criança. Até sete anos, no máximo uso por 30 minutos. O cérebro precisa ser ensinado. A tecnologia é ótima , mas não substitui a palavra, não substitui o olho no olho", frisou.

Destacou ainda que brincar é fundamental, essencial para o desenvolvimento do lobo frontal e pré-frontal. Responsáveis pelo desenvolvimento da fala e escrita, da formulação do pensamento abstrato, do planejamento de ações, movimentos e tomada de decisões.

Também evidenciou a importância de treinar o aluno para não se distrair. Segundo Elvira, é necessário trabalhar desde a Educação Infantil os três níveis de atenção do cérebro – alerta, foco e atenção executiva, para formar o comportamento de atenção do aluno.

"O computador ensina justamente o contrário, a distração. Atividades aplicadas ao currículo capoeira, dança, xadrez e principalmente a música comprovadamente aumentam o foco e atenção do aluno", afirmou.

Aos docentes, Elvira sugeriu que façam sempre atividades novas: aprender uma nova língua, pintar, dançar, cantar, tocar um instrumento musical.

O prefeito Aguilar Junior esteve presente nas duas palestras e aproveitou a oportunidade para agradecer aos profissionais pelo trabalho desenvolvido no primeiro ano da sua administração. "Os professores de Caraguatatuba são diferentes, pois têm uma competência própria de exercer seu ofício. Tenho certeza que tivemos muito mais acertos do que erros nesse primeiro ano de mandato. Estamos buscando o melhor para a população de Caraguatatuba. Contem conosco e um excelente ano letivo a todos", disse.

O secretário de Educação, Ricardo Ribeiro, afirmou que aprendeu muito no primeiro ano à frente da secretaria e reiterou que está aberto a receber críticas e sugestões que representem a maioria dos servidores da rede municipal de ensino.

 



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