Célia Santos/Casa Brasileira

Projeto 'Música na Sacada' é atração de quinta a sábado na Casa Brasileira



Postado em: 22/11/2023


O Projeto 'Música na Sacada' da Casa Brasileira é atração de quinta (23/11) a sábado (25/11), na Rua da Praia, Centro Histórico de São Sebastião. Na sacada do casarão histório estarão o cantor, compositor e sanfoneiro Marcelo Jeneci; a cantora e compositora Ná Ozzetti com o músico Dante Ozzetti; o cantor e sambista João Cavalcanti; o grupo carioca Matriarcas do Samba; a guardiã do samba paulista Maria Helena Embaixatriz; a cantora hondurenha radicada no Brasil, Indiana Nomma e a moçambicana Lenna Bahule, ao lado de artistas locais. 

As apresentações serão realizadas sempre a partir das 19h. Valorizando o patrimônio histórico do município, a atividade conta com o apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Fundação Educacional e Cultural ‘Deodato Sant’Anna’ (Fundass) e da Secretaria de Turismo (Setur), e realização do Instituto Mpumalanga, que neste ano foi contemplado com recursos do Edital ProAC 2022 da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo.  

O casarão que abriga o ponto de cultura Casa Brasileira será todo iluminado e vai receber diversos artistas para apresentações no alto da sacada, unindo arte e memória e o público poderá assistir aos shows da calçada onde fica o imóvel do século XVIII, de frente para o mar. Representando as raízes culturais do Litoral Norte, participam Mestre Ostinho, de Ubatuba, com o fandango do Ciranda Caiçara; a cantora sebastianense Sônia Lopes com o Sarau Azul; o maestro e saxofonista Almir Clemente em trio instrumental, além do Coral Guarani, da Terra Indígena Rio Silveira, e do Coralusp São Sebastião, regido pela maestrina Selma Boragian.

Programação

Na quinta-feira (23), às 19h, os primeiros sons na sacada serão ancestrais.  Na abertura do festival, o Coral Guarani da Terra Indígena Rio Silveira apresentará cantos do povo que resiste com sua língua, danças, músicas e costumes. 

Na sequência, o quarteto Matriarcas do Samba virá com um repertório que consagra as raízes do samba carioca. Composto por Nilcemar Nogueira, Geisa Keti, Vera de Jesus e Selma Candeia, as Matriarcas são descendentes dos ícones do samba Cartola, Zé Keti, Clementina de Jesus e Candeia. No repertório, clássicos como ‘A voz do morro’, ‘Alvorada’, ‘Preciso me encontrar’ e ‘Não vadeia Clementina’, além de sambas-enredos antológicos e sambas de terreiro. 

Celebrando o samba brasileiro, Maria Helena Embaixatriz terá uma participação especial no momento de lançamento da Revista do Samba do Instituto Mpumalanga. Maria Helena foi presidente da Embaixada do Samba de São Paulo por dois mandatos consecutivos. Ativista negra, ela foi fundadora da Velha Guarda da Rosas de Ouro.

Marcelo Jeneci encerrará a primeira noite do Música na Sacada com uma apresentação de voz e sanfona. Cantor, multi-instrumentista e compositor, Jeneci trará canções dos álbuns consagrados ‘De Graça’ (2014) e ‘Guaia’ (2019), indicados ao Grammy Latino, entre outras músicas do seu repertório. 

Jeneci começou tocando sanfona na banda de Chico César, com quem excursionou pela Europa em 2000. A partir de 2008, Marcelo Jeneci teve diversas músicas suas em trilhas de novelas, marcando seu sucesso como compositor.

Na sexta-feira (24), o Música na Sacada vai mesclar música brasileira com sons latino-americanos e africanos, em noite que terá presença da moçambicana Lenna Bahule e da hondurenha Indiana Nomma.

A abertura dessa noite será com o maestro e saxofonista Almir Clemente, em instrumental de MPB e Bossa Nova, e com a cantora sebastianense Sonia Lopes, com o projeto Sarau Azul, que prestigia os grandes poetas brasileiros.

Em seguida, a cantora Lenna Bahule, de Moçambique, mostrará como faz a fusão sonora entre as ‘Áfricas’ e os ‘Brasis’, explorando conexões musicais entre essas diversas culturas. Cantora, arte educadora e ativista cultural, Lenna é natural de Maputo e vive mergulhada em pesquisas e intercâmbios com afro-culturas e movimentos sociais de seu país, do Brasil e de outras diásporas africanas. Seu primeiro disco, Nômade (2016), esteve na lista dos 100 melhores discos produzidos no Brasil. 

Quem encerra a noite de sexta-feira na sacada da Casa Brasileira é a hondurenha Indiana Nomma. Conhecida no cenário do jazz e da canção latino-americana, Indiana iniciou sua carreira musical em Brasília e lançou seis discos, desde 2015, dos quais dois foram finalistas do 27°e do 29° Prêmios da Música Brasileira. Foi declarada pelos herdeiros de Mercedes Sosa intérprete do tributo oficial à cantora argentina, após o lançamento do álbum "Mercedes Sosa:  A Voz dos Sem Voz".
 
No sábado (25), em noite com fandango caiçara e canto coral, o Música na Sacada receberá o cantor, compositor e sambista carioca João Cavalcanti e a cantora e compositora paulista Ná Ozzetti. 
Antes, às 19h, as vozes do Coralusp São Sebastião, sob a regência de Selma Boragian, abrem as apresentações da última noite do festival, com coralistas entoando canções populares brasileiras e do mundo dos janelões da sacada. 

Mestre Ostinho de Ubatuba e o grupo Ciranda Caiçara entram, em seguida, com viola, rabeca, caixa e pandeiro para cantar e tocar o fandango, estilo de música e dança que representa o povo caiçara. João Cavalcanti e Ná Ozzetti encerram o Música na Sacada da Casa Brasileira. Cantor, compositor e jornalista de formação, João Cavalcanti foi vocalista por 16 anos do grupo Casuarina, eleito duas vezes como melhor grupo de samba pelo Prêmio da Música Brasileira, com quem gravou sete CDs e dois DVDs. 

Em carreira solo, suas músicas têm sido gravadas por importantes nomes da música brasileira, entre eles, Lenine, seu pai.  Em janeiro de 2022, ‘Desengaiola’, com 18 canções feito em parceria com Alfredo Del-Penho, Moyseis Marques e Pedro Miranda foi indicado ao Grammy Latino 2023, na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode, e ganhou o Prêmio da Música Brasileira/2023, na categoria Projeto Especial.

Prestes a completar 45 anos de carreira musical, Ná Ozzetti começou na música ao ingressar no grupo Rumo, um dos representantes da Vanguarda Paulista, gravando com ele cinco discos. Depois, em carreira solo, teve vários álbuns premiados e marcou parcerias constantes com seu irmão Dante Ozzetti, Luiz Tati, José Miguel Wisnik e Itamar Assumpção. Celebrou 40 anos de carreira em 2019 com o espetáculo ‘Ná, 40 anos de palcos’. Em 2022 lançou ‘Se você aparecer’, com músicas inéditas e arranjos de Dante Ozzetti, músico que o acompanhará na sacada da Casa Brasileira.



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