Entrevista: Ex-prefeito Juan diz que pré-candidatura pelo MDB se deve ao sucesso de seu governo e garante estar apto para eleição



Postado em: 25/06/2020


O portal Radar Litoral dá sequência à série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de São Sebastião. O objetivo é dar oportunidade ao eleitor/internauta de conhecer aqueles que desejam administrar o Município e suas propostas. O entrevistado de hoje é um dos pré-candidatos do MDB, o ex-prefeito Juan Garcia.

Formado em Medicina e Direito, Juan tem 62 anos e foi prefeito de São Sebastião de 2005 a 2008.

Anteriormente, durante três oportunidades foi secretário de Saúde de São Sebastião e diretor clínico do Hospital de São Sebastião por três oportunidades.

De 1989 a 1992 foi vereador constituinte, tendo sido o mais votado nas eleições municipais de 1988.

O pré-candidato afirmou que está apto a concorrer às eleições e que seu nome é lembrado em todas as eleições devido ao sucesso do seu governo.

Radar Litoral - Por que o sr é pré-candidato a prefeito de São Sebastião?

Juan Garcia - Agradeço a oportunidade. A pergunta é evidentemente padrão. Não é por que sou pré-candidato. Há necessidade que se tenham candidatos com as mais diversas nuances, desde os candidatos que não têm qualquer experiência em administração pública até os candidatos que têm experiência em administração pública e são cases de sucesso. Eu reputo que o nosso governo, de 2005 a 2008, foi um case de sucesso, inclusive com a participação dos dois entrevistadores. Tivemos seriedade e compromisso com a comunidade. Isso nos colocou numa posição privilegiada no mundo político em São Sebastião. Então, à época das eleições, por óbvio, meu nome é sempre levantado como eventual candidato. Agora, mais que nunca, em função da tremenda algazarra que se transformou a Prefeitura de São Sebastião, pela falta de habilidade e compromisso com a coisa pública. Eu fico muito orgulhoso de que uma equipe conduziu meu governo ao sucesso e hoje meu nome é lembrado, mais uma vez, como um nome possível de organizar a Prefeitura de São Sebastião.

RL - Quando o MDB vai definir o seu pré-candidato a prefeito?

Juan Garcia - Isso pra mim é um motivo de orgulho. Mostra, mais uma vez, o que é um grupo político. O nosso grupo, o MDB, possui os dois nomes mais cogitados para uma futura Prefeitura a partir de 2021. Orgulho de dizer que nosso grupo é extremamente democrático, as pessoas podem ocupar seus espaços, sem nenhum problema. A gente define o nome nas convenções municipais. Estou muito orgulhoso do trabalho do nosso grupo, que se permite uma coisa inédita. Ter dois nomes viáveis como pré-candidatos a prefeito da nossa cidade.

RL - Como está a questão da sua elegibilidade. Se a eleição fosse hoje, o sr. poderia ser candidato?

Juan Garcia - Com certeza. As pessoas fazem uma confusão entre ser elegível ou não. A condição de inelegibilidade só se discute após o registro da candidatura, o que é absolutamente factível para mim. Quem quiser impugnar a minha candidatura, só o fará após o registro. Após o registro a gente discute juridicamente. Não é em fofoca e diz que me diz. Estou perfeitamente apto a concorrer.

RL - Caso o MDB confirme o seu nome como candidato, o sr. acredita que vá até as eleições sem problemas?

Juan Garcia - É impossível um ex-prefeito ir até a eleição sem problemas. É a verdadeira utopia. Todos os ex-prefeitos da região, todos, têm problemas jurídicos que se superam na medida em que você se aprofunda na discussão dos mesmos. Então, tem que se apontar na época quais os motivos que me impediriam de ser candidato, após o registro da candidatura. Anteriormente ao registro da candidatura, não há qualquer impedimento para que eu faça o registro.

RL - Como está o trabalho de formação de alianças para as eleições e a eventual escolha do vice?

Juan Garcia - Mais um motivo pra eu me sentir orgulhoso com o trabalho político que realizamos ao longo desses anos. Nós, costumeiramente, saíamos com um ou dois partidos para disputar as eleições. Hoje, graças a esse trabalho reconhecido nós temos pelo menos sete partidos compostos no nosso grupo de oposição. Teremos 126 candidatos a vereador, o que é inédito. Na eleição passada, saímos com 24 candidatos. Isso significa que o grupo cresceu muito e agradeço demais a confiança dos demais partidos que estão unidos a nós.

A condição do vice-prefeito se discute à época da convenção. Eu tenho um desejo pessoal que, se me for dada a oportunidade de ser candidato a prefeito, ficaria muito feliz que o professor Gleivison fosse o vice-prefeito. Em eu não sendo o candidato, o professor Gleivison deverá definir o seu candidato a vice em convenção.

RL - O sr. acredita que o cenário político será de uma eleição polarizada com a união da oposição?

Juan Garcia - Sim. Seria muito inteligente por parte dos ditos oposicionistas que não houve uma divisão. Essa divisão só favorece os que estão no poder. Que estão numa condição eleitoral muito precária, mas que podem usar a tática da divisão de forças da oposição. Eu entendo que seria muito inteligente que os grupos políticos que se colocam na condição de oposição se chegassem a bom termo e definissem uma candidatura única pra enfrentar a candidatura da situação.

RL - O MDB tem mais três vereadores, Onofre Neto, Pixoxó e Ernaninho, filho do ex-prefeito Ernane, que foi um ferrenho adversário político seu. Inclusive com a polêmica demolição das obras do Centro de Convenções. É possível estarem todos juntos no mesmo palanque?

Juan Garcia - O que eu entendo é que o ex-prefeito Ernane tem toda condição de se lançar candidato a prefeito se quiser. O nosso palanque será formado pelas legendas partidárias que o compõe. Dentro das legendas, todas elas, existem pessoas que são de agrado de alguns segmentos da população e outras que não. A eleição normalmente se faz por maioria. É impossível que se junte apenas aqueles que gozam do total apoio da comunidade. Teremos de contemporizar eventuais antigos adversários políticos. Adversários, inimigos políticos reputo que não tenho, mas adversários políticos sim. Mas deverá existir uma conjugação de forças em torno de um programa de governo único, não em torno de um candidato. Mas um programa de governo que satisfaça todos os segmentos da população. Isso é perfeitamente possível. Aqueles que individualizam a disputa eleitoral não tem suficiente formação política. Porque quem deverá ascender ao poder é alguém que defenda um projeto de progresso, de revolução e de resgate da nossa cidade, que poderá receber apoio das mais variadas matizes. Isso é normal.

RL - O sr. governou a cidade entre 2005 e 2008, portanto há 12 anos. O que muda em uma eventual futura administração, caso seja eleito?

Juan Garcia - As fotos vão mudar bastante. Tenho menos cabelo, muitos pelos brancos na face e a barriga um pouco mais avantajada. Mas o que muda radicalmente é a minha visão do mundo político. No primeiro mandato, nós fomos extremamente administradores, técnicos. Isso nos marcou e o que deu um índice de aprovação de 76% à administração na época de ótimo e bom. Fomos eminentemente técnicos. Da parte técnica, não há que se discutir que nosso grupo tem capacidade de governar e resgatar São Sebastião. O que os anos fazem com todos os homens e mulheres é amadurecê-los, fazer com que vejam que situações que antes causavam uma reação, digamos, mas visceral, agora essas reações sejam mais pensadas. Politicamente o nosso grupo evoluiu muito. Conseguimos avaliar que há necessidade de composição de forças para vencer. Eu, fatalmente, perdi a minha reeleição, me penitencio por isso e aproveito para pedir escusas à comunidade, porque eu entedia que somente fazer uma boa gestão administrativa seria suficiente. Há que se fazer também uma boa gestão política. Então, faremos isso com muita sapiência a partir de 2021. Não vão se arrepender se me conduzirem ao governo.

RL - Vivemos um movimento de pandemia que assola o Brasil e o mundo. O sr. acredita que será uma eleição diferente por conta disso?

Juan Garcia - Espero que o TSE e o Congresso Nacional sejam suficientemente lúcidos para prorrogar essa eleição para pelo menos 60 dias. Nós estamos no curso da pandemia. Ai daquele que acha que saímos da zona de risco, muito pelo contrário. Estamos entrando na zona de maior risco agora. A gravidade dos infectados agora é muito maior do que a tempos atrás. Isso os números estão mostrando.  O que não está compatível é essa impaciência da população em acreditar na doença. Que não aceite as quebras financeiras e econômicas é até natural. Mas com a doença não a despreze. Se os responsáveis, que são os integrantes do Congresso Nacional, pois terá de ser através de PEC (Proposta de Emenda Constitucional) deve adiar as eleições. Se adiar por dois meses, não significa que estaremos fora do período de risco, mas estaremos numa condição muito melhor do que se for em outubro. Poderá ser uma eleição diferente do ponto de vista de comunicação. Teremos de aperfeiçoar os métodos de comunicação via mídias sociais, internet e imagens em geral. Será diferente sim. Eu, particularmente, terei alguns problemas, porque a minha campanha, a minha história política sempre foi de corpo a corpo. Visita casa a casa, enfrentamento olhos nos olhos. Isso que nos dá essa credibilidade que temos junto à população. Mas também não temos dificuldade de nos adaptar. Vai mudar sim um pouco.

RL - Obrigado por receber a equipe do Radar Litoral.

Juan Garcia - Eu que agradeço demais. Deixo claro para as pessoas que nós temos uma situação de absoluta tranquilidade dentro do MDB. Caminhamos com muita serenidade até as convenções e ao definirmos o nome espero que a população entenda que isso é parte do arcabouço político. Chegar a definição de um nome implica numa série de diálogos, de conversas, de evolução. Muito grato a vocês e obrigado pela entrevista.



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