Médico infectologista fala sobre importância da máscara e distanciamento social para conter Covid-19, tratamento e tempo para vacina



Postado em: 22/05/2020


Em entrevista ao Jornal da Morada (Morada FM 95.5), na manhã desta sexta-feira (22/5), o médico infectologista Dr. Paulo Madureira, que atua na rede municipal de saúde de Ilhabela, falou sobre vários temas relacionados ao coronavírus (Covid-19). Entre eles, o uso da máscara e o distanciamento social como as principais formas de conter o avanço da doença. Ele ainda abordou assuntos como uso da cloroquina no tratamento e a expectativa para a criação de uma vacina. 

Dr. Paulo Madureira ressaltou que Ilhabela tem uma condição diferenciada por restringir acesso por meio da travessia de balsa. Hoje são 39 casos e nenhum óbito. A cidade também não tem internados por coronavírus.

O médico acredita que o país esteja próximo do pico da contaminação. "Estamos chegando perto do pico, mas o Brasil é muito grande, realidades desiguais. São Paulo está perto do pico, mas é difícil afirmar", avaliou.

Ainda na entrevista, o médico salientou que, antes de se falar em respiradores, deve se enfatizar a importância do uso de máscaras e o distanciamento social para diminuir a transmissão da doença. Quanto a criação de uma vacina, Dr. Paulo Madureira acredita que isso ainda levará um certo tempo. "Vacina vai demorar, doenças virais agudas não tem nenhum tratamento bom pra quase nenhuma delas. Enfrentamento é na base do isolamento e uso de máscara. Vacina pra um vírus novo, normalmente o tempo médio é de seis anos. Depende muito de quanto se coloca de dinheiro e quanta gente está envolvida. Neste caso, nunca teve na história da humanidade. Muitos agentes de pesquisa trabalhando na vacina no mundo todo. Sairá num tempo recorde, coisa de um ano, um ano e meio", disse o médico infectologista. 

Quanto ao achatamento da curva de contágio, ele ressalta que hoje ainda está em ascenção. "A pressão econômica é enorme, muita gente precisa trabalhar. Mas quem puder fazer isolamento é fundamental. Máscara e distanciamento". 

 Conforme explicou, na China a média de contaminação era de um pra seis. No Brasil, a média está em um para três, mas que o ideal para controlar a epidemia é baixar até um pra um. Sobre o tratamento com Cloroquina, o médico aponta que não há estudo científico que comprove a eficácia. "Li mais de 10 artigos científicos do mundo e nenhum deles apontou eficiência boa no tratamento. Como médico a gente não tem como indicar. A Revita Jama (Journal American Medical Association) aponta que em mil pacientes tratados com cloroquina, não houve benefício nenhum, comparado com o tratamento tradicional". 

O médico alertou que o crescimento dos casos no Vale do Paraíba e Baixada Santista é motivo de preocupação para a região. "A epidemia fica mais perigosa quando se tem o maior número de pessoas infectadas. Temos de pensar setorialmente pelo Litoral Norte. Ilhabela tem o controle da balsa, o que facilita. As outras cidades que estão no eixo da Rio-Santos tem que olhar com muito cuidado estes números". 

Dia a dia pós-pandemia

Sobre o futuro após a pandemia, o médico considerou que por muito tempo a máscara terá de ser utilizada. "Tenho comparado o uso de máscara como usar capacete para andar de moto. Todo mundo que não pegou a doença, teoricamente é suscetível. Então, quando passar a epidemia, declinar o número de casos, se houver introdução novamente do vírus continua muita gente suscetível. Só acabará, quando ocorrer o que a gente chama imunidade de rebanho, com 60%, 70%. São Paulo hoje nem 5%. Vamos ter que usar por muito tempo máscara para não haver uma nova onda". 



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