Divulgação/Sindipetro

Sindipetro explica as razões da greve dos petroleiros à população do Litoral Norte



Postado em: 17/02/2020


O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP), Márcio André da Silva, participou na manhã desta segunda-feira (17), de uma entrevista ao vivo na Rádio Morada FM, em São Sebastião. Ele esteve no programa “Jornal da Morada” para explicar à população os motivos da greve nacional da categoria, que entrou em seu 17º dia.
 

“Nossa luta é contra a demissão em massa dos trabalhadores da fábrica de fertilizantes que fica em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. A Petrobras está fechando essa empresa e demitindo aproximadamente 400 empregados próprios e 600 contratados, prejudicando cerca de mil famílias. Além disso, estamos denunciando a política de preços dos combustíveis, que vem fazendo a sociedade sofrer com os altos valores”, ressaltou Márcio André.
 
A fábrica de fertilizantes a qual o diretor se refere é a Araucária Nitrogenados (Ansa), uma subsidiária da Petrobras. A estatal anunciou, em novembro passado, que fracassou a tentativa de venda dessa unidade. Desde então, a possibilidade de seu fechamento passou a ser esperada. Em janeiro, a Petrobras confirmou o encerramento das atividades.
 
Márcio André recordou que a categoria cogitou uma paralisação no ano passado, na época do acordo coletivo. Isso porque a Petrobras divulgou, segundo ele, o corte de inúmeros direitos trabalhistas, como os auxílios saúde e educacional. “Também impôs novas tabelas de turno e o não pagamento de horas extras, com a criação de um banco de horas. Isso incentiva a empresa a diminuir o quadro de trabalhadores, expondo-os aos riscos da atividade”, destacou.

De acordo com o diretor, a greve não aconteceu porque a empresa voltou atrás em alguns pontos e o acordo foi assinado. “Mas ficou acertado que, de 2019 até o início de 2020, iríamos nos reunir para discutir algumas cláusulas, que chamamos de programáticas. Só que de lá para cá, a empresa se recusa a negociar com os trabalhadores, impondo unilateralmente sua intenção”, explicou Márcio André.
 
Entre essas cláusulas estão: a determinação de que, numa eventual demissão em massa, a empresa deve discutir todo o processo com o sindicato; e no fechamento de um polo de trabalho, a estatal deve transferir os trabalhadores para outras unidades. “Mas a Petrobras está descumprindo tudo isso e cerca de mil empregados lá de Araucária simplesmente receberam uma carta informando as demissões”, ressaltou o diretor.
 
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a política que determina os preços dos combustíveis no Brasil. Recentemente, o Sindipetro realizou uma ação nacional de venda de gás de cozinha pelo valor de 30 reais. A ideia foi mostrar à população como é possível baixar os preços praticados pela estatal, apenas diminuindo os valores que saem da refinaria, sem mexer nos impostos.

“A partir de 2017, a Petrobras, a mando do governo federal, decidiu mudar como se deve calcular os valores, passando a adotar como referência o preço do barril de petróleo internacionalmente, e em dólar. Se pensássemos nos nossos custos internamente, o barril sairia por volta de 13 dólares. Mas como a empresa usa o preço internacional, o barril fica entre 57 a 60 dólares, disparando o preço dos combustíveis e do gás de cozinha. Dez anos atrás, o barril chegou a custar cem dólares, mas a nossa gasolina não passava de três reais nos postos, porque a Petrobrás não usava o preço internacional do barril, mas sim o custo interno, que é em média 13 dólares. Hoje, com o barril a 60 dólares, tem lugares cobrando a gasolina a cinco reais e 20 centavos”, disse Márcio André.
 
A greve dos petroleiros continua, segundo o diretor, em todo o país. A adesão da categoria é grande. “No Litoral Norte, praticamente 100% dos empregados que trabalham em regime de turno aderiram. Isso em São Sebastião, no Tebar, e também em Caraguatatuba, na Unidade de Tratamento de Gás. E hoje estamos na expectativa de uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, lá em Brasília, que deve avaliar a situação e esperamos que chame a empresa a retomar as negociações”, contou.
 
Márcio André finalizou a entrevista reforçando que a intenção da greve não é prejudicar a população brasileira. “Mas que se a Petrobras insistir em não negociar com os trabalhadores, pode haver algum tipo de desabastecimento futuro. Não será culpa dos empregados e, sim por intransigência da empresa. Ressaltamos, também, que a privatização da Petrobrás não traz vantagens para os trabalhadores, muito menos para a população brasileira, que vai pagar essa conta”.

O diretor do Sindipetro, Márcio André, concedeu entrevista ao "Jornal da Morada-A Voz do Povo"



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