Hospital de Ilhabela transforma resíduos orgânicos em adubo e reduz gasto com transbordo de lixo



Postado em: 31/07/2019


Um projeto de sustentabilidade no Hospital Municipal Mário Covas, em Ilhabela, tem mudado a maneira do descarte de lixo orgânico gerado pela unidade. No lugar de mandar 40 quilos de resíduos orgânicos por dia para o aterro sanitário municipal, o hospital transforma o material em adubo e cultiva uma horta na área externa do prédio.

Dessa forma a unidade de saúde está contribuindo com o meio ambiente e reduzindo gastos com o descarte de lixo. O trabalho de compostagem no Hospital Mario Covas teve início em agosto de 2018, e envolve um processo biológico que permite transformar matéria orgânica em um composto rico em substâncias e nutrientes para o uso em jardins e hortas.

As 17,2 toneladas de resíduos orgânicos que deixaram de ser enviadas ao aterro municipal, hoje são aproveitadas em benefício da comunidade do hospital e da população. Em um ano de projeto, o hospital já produziu 11,1 toneladas de adubo orgânico. “Do desafio que é garantir o descarte e tratamento correto aos diversos grupos de resíduos do hospital, a compostagem dos orgânicos na própria instituição é, sem dúvida, a solução mais rápida, simples, eficiente e barata de ser implantada”, destaca Luiz Paulo, responsável pela compostagem do hospital.

Com esse sistema de funcionamento, os detritos de origem vegetal passam a ter destino certo: as quatro composteiras, que tem 500 quilos de capacidade cada. “Esse projeto serve de espelho e estímulo, porque, ver que um lugar grande como um hospital está descartando restos de alimentos de forma tão correta, serve de exemplo e pode ser adotado em outros lugares”, declarou prefeita de Ilhabela, Maria das Graças Ferreira, a Gracinha.

Os resíduos destinados à reutilização são os crus de pré-preparo da comida que é enviada aos pacientes e funcionários. Os restos de comida que são geradas nos leitos e no refeitório não são utilizados.

O método empregado para produzir o adubo é o termofílico, este sistema aceita maior variedade de rejeitos orgânicos, como restos de carne e alimentos cozidos. Funciona pela ação de bactérias termofílicas que elevam a temperatura dos resíduos a 60°C, o que elimina eventuais patógenos. Esse modelo de compostagem, permite melhor gestão do espaço quando há restrição de área, ideal para ambientes urbanos. “Para saber o que pode ser enviado para a composteira, foi ministrada uma palestra com os funcionários da cozinha. Nessa aula, eles aprenderam que cascas e restos de legumes e frutas, borra de café, hortaliças, restos de pão, comida cozida e cascas de ovos podem virar adubo”, explica Luiz. Com tudo depositado na composteira e feito todo o processo, o adubo leva cerca de um mês para ficar pronto. 

Para o secretário de saúde, Alberto Orro, o hospital só tem a ganhar com a compostagem. “É uma vantagem ecológica e econômica, pois o aterro sanitário municipal deixa de receber resíduos desnecessários e o hospital diminui despesas com sacos de lixo e serviço de coleta de lixo”, diz. Em um ano de compostagem, sem enviar restos orgânicos para o aterro, o Hospital Mario Covas evitou que 13.5 toneladas de CO2 fossem emitidos para a atmosfera.

O trabalho de compostagem do hospital de Ilhabela tem dado tão certo, que se classificou dentre 81 projetos de 11 estados brasileiros, do qual abordaram as mais diversas iniciativas Ambientais em organizações de saúde pública e privada, de todos os portes, e que fazem a diferença para tornar o SUS (Sistema Único de Saúde) mais verde e sustentável à receber o certificado de “Menção honrosa”, da décima edição do "Prêmio Amigo do Meio Ambiente" que é concedido anualmente pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS). Todo adubo produzido pela unidade é utilizado na horta do hospital, nos canteiros da cidade e doado à população.



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