Padilha quer efetivar a Região Metropolitana para atrair novos investimentos para o Litoral Norte

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Litoral Norte-01/10/2014 - O médico Alexandre Padilha, de 43 anos é o candidato do PT ao Governo de São Paulo. Foi ministro das Relações Institucionais no governo Luís Inácio Lula da Silva e Ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff, onde implantou o Programa Mais Médicos. Iniciou a militância política aos 17 anos, quando se filiou ao Partido dos Trabalhadores e ingressou na Faculdade de Medicina da Unicamp. Desde o início do curso, participou dos movimentos políticos estudantis. O candidato tem como prioridades para a região segurança, saúde, educação, mobilidade urbana, turismo e as obras em torno do pré-sal.

Foto: Paulo Pinto/Analítica

Litoral Norte-01/10/2014 - O médico Alexandre Padilha, de 43 anos é o candidato do PT ao Governo de São Paulo. Foi ministro das Relações Institucionais no governo Luís Inácio Lula da Silva e Ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff, onde implantou o Programa Mais Médicos. Iniciou a militância política aos 17 anos, quando se filiou ao Partido dos Trabalhadores e ingressou na Faculdade de Medicina da Unicamp. Desde o início do curso, participou dos movimentos políticos estudantis. O candidato tem como prioridades para a região segurança, saúde, educação, mobilidade urbana, turismo e as obras em torno do pré-sal.

Confira a íntegra da entrevista.

RADAR LITORAL - Quais as suas prioridades para o Litoral Norte?
ALEXANDRE PADILHA - O governo Alckmin perdeu o compromisso com a região. Ele se distanciou dos problemas do litoral norte, reflexo disso são os altos índices de violência, a precariedade dos serviços públicos em saúde e educação e a não efetivação da região metropolitana do Vale do Paraíba e do Litoral Norte, que poderia atrair novos investimentos para a região. Nossas prioridades para a região serão segurança, saúde, educação, mobilidade urbana, turismo e as obras em torno do pré-sal. A região não foi prioridade do governo estadual ao longo dos últimos 20 anos de PSDB. Vamos atuar pelo desenvolvimento da região e desenvolvimento é fruto de conjugação de esforços dos governos, empresários, trabalhadores. Vamos governar a partir das regiões, reconhecendo as forças sociais e institucionais dos territórios como tendo papel relevante na definição das políticas pública e apostar no diálogo e na ação compartilhada para o desenvolvimento e a redução das desigualdades.  Isso significa uma mudança substancial do sistema de governança com padrões democráticos, em parceria estratégica com os municípios e forte participação da sociedade civil em todos os níveis. Significa promover e participar de arranjos regionais, como consórcios, associações etc. Significa implantar um planejamento regionalizado e não formulado somente na capital, com a descentralização da priorização de ações e metas, que contemplem e representem todo o Estado.

RL – Como o sr. pretende atuar para minimizar os problemas das desapropriações devido às obras do contorno da Rodovia dos Tamoios?
PADILHA -  Dentre as propostas do nosso plano de governo para incrementar as áreas da indústria, serviços e turismo do litoral norte, estão a garantia de construção dos contornos de Caraguatatuba e São Sebastião, além da duplicação da Tamoios. Ao contrário do atual governo, vamos priorizar o diálogo direto e permanente com a comunidade, diálogo que pode gerar medidas para minimizar o impacto das desapropriações. Além disso, vamos seguir todas as normas e leis sobre desapropriações, para que ninguém seja lesado. A Tamoios está incompleta há 20 anos. É preciso dar um fim a isso. 

RL – Como resolver o problema da travessia por balsas entre São Sebastião e Ilhabela?
PADILHA - O serviço de balsas está estagnado há 10 anos, enquanto se multiplicou o trânsito de estudantes, movidos pelas novas oportunidades, de trabalhadores e turistas. Vamos modernizar e aumentar o número de balsas, principalmente no período de temporada. Em diálogo com a população, vamos estruturar o serviço de Barca intermunicipal - exclusiva para passageiros - com outras estações de embarque na ilha, em São Sebastião e Caraguatatuba e integrado com o ônibus. Outra prioridade prevista no nosso plano de governo é a implantação do Bilhete Único Metropolitano  em todas as regiões metropolitanas do Estado, proporcionando uma economia de até 25% para quem usa o transporte público.

RL – Como o sr. pretende atuar para que a região tenha um hospital regional?
PADILHA - Vamos fazer o hospital em Caraguatatuba para atender aquelas cidades que o atual governador prometeu e não fez. O litoral norte está dentro da DRS do estado de Taubaté, que é uma região com deficit de leitos. Dados da SES - SP para 2011 mostram que a DRS de Taubaté tem 1,53 leitos/1000 habitantes para um parâmetro de 2,8 a 3,0/1000 hab. Os leitos SUS são 1,20 leitos/1000 habitantes - pior ainda. A população que usa o SUS é de 67%. Ou seja, faltam leitos na DRS toda. Olhando a região do Litoral Norte, a situação é ainda pior. São 276 mil habitantes e a relação de leitos é a seguinte nos 4 municípios: A região do Litoral Norte tem 1,40 leitos/1000 habitantes e  para o SUS a relação é de 1,21/1000 habitantes, muito baixa. Caraguatatuba - 1,32 leitos SUS /1000 hab e 1,68/1000 hab geral Ubatuba - 0,89 leitos SUS/1000 hab e 0,99 leitos/100 hab geral São Sebastião - 1,31 leitos SUS/1000 hab e 1,43 leitos/1000 hab geral Ilhabela - 1,40 leitos SUS/1000 hab e 1,50 leitos/1000 hab geral. Alckmin tinha prometido um hospital regional do Litoral Norte e depois de eleito descartou. Vai fazer PPP em SJ dos Campos, mas a região do litoral norte não tem leito público, apenas uns 15 em Ilhabela, quase uma UPA. O estado anunciou construção de hospital em São José dos Campos, mas leva o povo a se deslocar para onde também não sobra. Uma alternativa é construir um hospital em Caraguatatuba que atenderia São Vicente, Ilhabela e Ubatuba.

RL – Como o Estado pode incrementar o Turismo no Litoral Norte para minimizar os problemas da sazonalidade?
PADILHA - Vamos dar efetividade à Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, contribuindo para transformar a diversidade da região em ativo para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo. O Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (hoje formado pelo Governo do estado, governos municipais e Assembleia Legislativa) será dinamizado. Uma das metas será debater e buscar alternativas para potencializar o turismo na região. Além disso, vamos implementar a marca da INOVAÇÃO para dinamizar as vocações e capacidades instaladas e dar novos saltos. Vamos coordenar os setores público, privado e acadêmico em torno de áreas estratégicas, garantindo financiamento, lançando mão do BNDES, FINEP, carteiras de inovação, Desenvolve São Paulo (principalmente para pequeno e médio); pesquisa e desenvolvimento, por meio da FAPESP, CNPq, e a rede de Universidades Estaduais, Federais e privadas de São Paulo; e formação profissional e ensino técnico – Pronatec, Fatecs.

RL – Hoje os municípios exportam o lixo produzido na região. Qual a sua proposta para a destinação final do lixo produzido nas cidades do Litoral Norte? 
PADILHA - O lixo é um problema constante em todo o Estado de São Paulo e latente no litoral norte. Nossa proposta é tratar essa questão do ponto de vista regional, buscando alternativas que atendam todas as cidades do litoral norte em conjunto.

RL - A violência é um dos problemas da região. Qual a sua proposta para essa área?
PADILHA - A situação da violência no litoral norte é alarmante, com altíssimos índices de violência. E, pior, com pequeno efetivo policial. Vamos ampliar o número de policiais nas ruas, ampliar a fiscalização nas estradas e nas fronteiras do Estado. Na segurança pública, o aumento da criminalidade organizada espalha insegurança nas grandes e nas pequenas cidades. O número de vítimas de latrocínios cresceu assustadoramente. Uma pessoa é assaltada a cada dois minutos, configurando o pior índice de roubos nos últimos 19 anos. As penitenciárias do estado foram transformadas em verdadeiros centros de organização de uma das principais facções criminosas do país, o PCC. A solução de crimes é abaixo do vergonhoso, menos de 3% dos homicídios registrados têm autoria identificada e vão a julgamento. Depois de 20 anos de governos do PSDB, há uma sensação de perda de rumo e de cansaço. São Paulo precisa de uma nova liderança, capaz de potencializar oportunidades e promover serviços de qualidade. É imprescindível ter um governo com ousadia, criatividade e capacidade de inovação. Reverter a violência nas regiões mais vulneráveis e a sensação de abandono e insegurança que tomou conta de nosso estado de São Paulo será um esforço constante, permanente e duradouro. Para tal, nossa política assumirá uma postura implacável com o crime organizado e com qualquer mal feito dentro dos órgãos de segurança. Queremos profunda cooperação com o governo federal, com os governos estaduais, sobretudo com os quais compartilhamos divisas territoriais, com os governos municipais, com o Judiciário e com os parceiros privados que ampliaram suas ferramentas de segurança e monitoramento. É fundamental a presença do Estado, por meio da defensoria pública e do ministério público, nas unidades prisionais. Sobretudo, a atuação das polícias respeitará o direito a livre manifestação e tratará igualmente cidadãos e cidadãs, independentemente de classe social, renda, cor escolaridade e local de moradia. Teremos uma abordagem abrangente, com políticas preventivas que reforcem a coesão social. Teremos ações efetivas de integração operacional entre as policiais estaduais e de promoção de um salto tecnológico e dos serviços de inteligência policiais. Buscaremos todas as condições para garantir o compromisso de estar presente às ruas, defendendo e protegendo as pessoas. Teremos atenção especial na proteção às divisas interestaduais, às rotas rurais e urbanas do crime e com as unidades prisionais, que não podem se perpetuar como reprodutoras da organização do crime e da cultura da violência. Nosso programa de governo prevê ainda a Força Paulista de Segurança que visa ampliar a integração das ações das Polícias Civil, Militar e Federal.

RL – Qual a sua proposta para o Porto de São Sebastião?
PADILHA - O Projeto do governo do estado – via Cia Docas – vai eliminar a baia do araçá, ecosistema marinho riquíssimo e complexo, para construção de um espaço para o retroporto (containers e etc). A proposta é desenvolver o Porto, aproveitando as vantagens do local, com calado profundo e condições de autodragagem das melhores do País, para uma atividade portuária adequada, que não dependa de grandes áreas para retroporto. Entre as atividades estão o granel líquido, como etanol e suco de laranja e atividades ligadas ao Pré-sal. Hoje já existem empresas desenvolvendo módulos da plataforma do pré-sal na cidade, com baixo impacto, pois utiliza o porto e não gera carretas atravessando a estrada e a cidade.

RL – Ubatuba tem o único aeroporto da região. Como torná-lo viável para o Turismo?
PADILHA - Em parceria com o governo federal e a iniciativa privada vamos dinamizar os aeroportos regionais, em um plano integrado de mobilidade. O turismo, de lazer e também de negócios e educacional vão crescer na região, e o compromisso é com a infraestrutura capaz de garantir esse salto.

RL - Como o sr. pretende se relacionar com as autoridades da região (prefeitos e vereadores)?
PADILHA - A participação social é método e processo intrínseco de um governo democrático. Ela é imprescindível para que o governo seja aberto e atento aos que mais necessitam. Vamos governar em parceria com prefeitos e vereadores, independentemente da filiação de cada um deles a partidos políticos.

RL – Deixe uma mensagem para a população do Litoral Norte e por que os eleitores da região devem votar no senhor.
PADILHA - São Paulo são todas as vozes, são todas as cores, todos os impulsos de otimismo e desejos de superação. Contudo, muitas vozes são violentamente silenciadas, cores são marginalizadas e desejos de superação obstruídos. Somos os incontáveis trabalhadores e trabalhadoras e a classe média que batalham para melhorar a qualidade de vidas de suas famílias e comunidades, buscando mais qualidade na educação, saúde, transporte e desejando mais segurança; somos os empresários e as famílias que vivem e trabalham no campo, na agroindústria, nas propriedades familiares, nos acampamentos e assentamentos, que querem terra, apoio técnico, crédito e políticas de desenvolvimento no meio rural; somos o imenso contingente de servidoras e servidores dispostos a fazer parte de um projeto de mudança, que promova a reforma do estado para que preste mais e melhores serviços, valorizando os trabalhadores e trabalhadoras do serviço público; somos os micro, pequenos e médios empreendedores  e empreendedoras e grandes empresários e empresárias que lutam por um Estado menos burocrático e que caminhe na velocidade dos paulistas. Somos os jovens da periferia, que, escapando da violência cotidiana, reivindicam mais canais de participação e o direito à cidade, além de oportunidades para construir um futuro melhor; somos as mulheres que lutam por mais inserção política, melhores empregos e pelo fim da violência, desejando a ampliação do acesso ao serviço de saúde e melhor atendimento nas delegacias especializadas; somos a comunidade LGBT que celebra a diversidade e combate a intolerância, a violência e todas as formas de preconceito; somos os negros e negras que constroem a nossa sociedade e que lutam por igualdade racial e por um basta a toda forma de discriminação; somos as pessoas com deficiência que superam obstáculos diários e que militam pela inclusão e pela acessibilidade; somos os idosos e idosas que buscam envelhecer com dignidade e qualidade de vida; somos os povos tradicionais indígenas, ciganos e de matriz africana, assentados, quilombolas e comunidades ribeirinhas que reivindicam o direito à identidade e à terra; somos aqueles e aquelas que defendem a proteção dos animais; somos os que lutam pela defesa do meio-ambiente e pelo desenvolvimento sustentável; somos lideranças religiosas que buscam o fim da intolerância religiosa e uma sociedade mais pacífica; estamos cansados de sofrer todas as semanas pela morte dos filhos das nossas comunidades; somos trabalhadores e estudantes que diariamente gastam o tempo que deveria ser dedicado ao lazer, à família, à qualificação profissional, em horas de deslocamento no metrô, nos trens e em ônibus intermunicipais de baixa qualidade; somos milhares de migrantes e imigrantes que, apesar de atitudes xenófobas, encontramos em São Paulo um estado acolhedor e de oportunidades. Somos o vigor das lutas sociais que se expressam por meio de sindicatos, associações, entidades estudantis, movimentos sociais organizados e partidos políticos democráticos, bem como as instituições da sociedade civil que desejam o aprofundamento do desenvolvimento e da democracia; somos o novo que ocupa as redes e as ruas com o desejo de aprofundar as mudanças e de conquistar mais e novos direitos, somos grupos, coletivos, organismos que por meio das linguagens urbanas e culturais desejam uma nova cultura política e mais soberania popular. A coligação Para Mudar de Verdade expressa os paulistas que têm orgulho de São Paulo, mas que se cansaram da falta de ousadia e de cuidado dos últimos anos do governo PSDB. Somos aqueles que desejam para São Paulo a inovação e a criatividade. Somos o sonho paulista de uma sociedade nova e de um Estado inovador que possam fazer face aos desafios do século 21.