Daniela Carvalho



Site: http://encantes.blogspot.com.br/

Daniela Carvalho, autora do Blog Encantes, é jornalista e adora escrever sobre estilo de vida, viagens e histórias do cotidiano, como forma de diminuir as distâncias e estreitar os laços de amizade. Sonha morar em Paris e escrever um livro de crônicas.

 

 

Amor em tempo de silicone

Postado em: 22/09/2017

Daniela Carvalho/Blog Encantes

Outro dia eu estava em um café conversando com uma amiga que já está no seu terceiro ou quarto casamento, não sei bem...

Nós duas conversávamos sobre o que levaria as pessoas a desistirem uma das outras, sem que fosse dada uma segunda chance ao outro de consertar o erro ou, pelo menos, tentar mudar.

Eu realmente acredito que alguém pode mudar por amor. Na defesa do meu ponto de vista, eu disse que as pessoas desistem rápido demais.

- Às vezes basta uma discussão para que o amor termine e se transforme em nada?   

Ela me olhou bem séria e apenas respondeu:

- Já vi casamentos terminarem por menos do que isso.

Que amor é esse para terminar assim? Pensei na hora, mas não disse. Aprendi que é preciso respeitar quem tem mais experiência do que eu, o que era o nosso caso.

Saí de lá e fiquei pensando no que disse a minha amiga casamenteira, que o amor pode acabar por algo menor do que uma discussão.

E sabe o que concluí? Que ela tem razão.  

Alguns gestos e comentários podem causar um efeito mais devastador ao casamento do que uma discussão, principalmente quando não parecem ter sido premeditados.

Alguns dias depois eu tive a prova disso.

Encontrei um amigo que não via há muito tempo. Ele sabe que escrevo sobre relacionamentos no blog e sou casada, com o mesmo marido, há mais de 20 anos. Penso que isso o incentivou a abrir o seu coração para mim.

Ele me contou que, há alguns meses, sua esposa estava fria e não deixava que se aproximasse dela. Não brigava, não chorava, estava silenciosa.

- Você lembra quando isso começou?

Ele contou que os dois estavam conversando com outro casal na mesa de um bar. Cerveja pra lá outra pra cá e passaram a falar sobre cirurgias plásticas.

Quando ele fez um comentário sobre os seios de uma amiga da sua esposa, que tinha colocado silicone.  

- Nada demais (segundo a opinião dele). Eu disse “apenas” que tinha achado o resultado bastante natural.

Ainda sem compreender o efeito que o comentário tinha provocado, ele me contou que, na hora, a esposa achou graça e desconversou.

Mas, quando se viram a sós, ele tentou abraçá-la para dar continuidade à noite maravilhosa e foi empurrado para bem longe e ainda ouviu da esposa:  

- Não toca em mim, você me magoou!

Nem preciso dizer que o meu amigo ficou completamente perdido, atordoado, sem compreender o que tinha feito de errado e decidiu perguntar.

– Mas, o que eu fiz de tão grave?

Era tudo que a esposa precisava para abrir o coração...

E ela fez isso com prazer...

“Se você estava insatisfeito com o meu seio era melhor ter dito isso, ao invés de ficar insinuando na mesa de um bar, para todos ouvirem, que o seio de silicone da minha amiga é mais bonito que o meu!”, gritou!

Ele tentou dizer que não foi a sua intenção criticar os seios dela.

  – Eu juro pela alma dos nossos filhos que estou muito satisfeito com os seus seios.

Foi um apelo comovente e, depois de algumas horas, conseguiu que a mulher parasse de falar e fosse dormir, mas não conseguiu fazer ela se esquecer de que ele reparava nos seios das suas amigas.

Aliás, como ele veio descobrir mais tarde, esse era o grande x da questão. Silicone? Esse era o menor dos problemas.

Para a esposa, o fato de reparar nos seios da sua amiga era quase uma traição. Ou quase pior que uma traição.

Isso foi algo que ele veio descobrir mais tarde...

A partir daquele dia, a esposa se tornou desconfiada e arredia. Não queria que ele tocasse nos seios dela.

Depois de ouvi-lo eu expliquei que não havia nada que ele pudesse fazer a não ser continuar demonstrando amor à esposa e ter paciência.

Provavelmente, após dois filhos, ela deve estar insegura com a imagem dos seios e não tinha se dado conta disso até ouvi-lo falar sobre o da sua amiga.

 Afinal, se estivesse feliz e satisfeita com o seu corpo não teria se incomodado tanto.  Mas, é claro, tudo são suposições.

Espero que um par de seios não fique entre os dois. Entre tantos casais que eu conheço, esse me parece se amar de verdade.

Saí do supermercado pensando...

Pobre mulher... como vai seguir em frente? Fará de conta que não se importa ou tentará atrair de novo o olhar do marido para os seus seios colocando um silicone?

Se fingir que não se importa, por quanto tempo conseguirá ignorar os olhares do marido para os seios das suas amigas?

Se colocar silicone para agradar o marido, viverá bem consigo mesma? E, quando o nariz cair, a pálpebra, as nádegas...  Por que uma coisa é certa um dia tudo vai cair.

Eu não queria estar na pele dela ou dele. Aliás, acho que o grande problema é justamente não querer aceitar a própria pele e se amar do jeito que é. Isso evitar muitos conflitos.  

Casamento nunca foi fácil, mas não conheço nenhum casal que tenha se separado por causa de seios de silicone. Espero que esse não seja o primeiro.