Economia e Finanças



A coluna aborda de forma simples e direta assuntos de Economia importantes para o seu dia a dia. A coluna está a cargo da economista e professora universitária Tcharla Bragantin e do também professor universitário Juraci Marques, formado em Ciências Contábeis e pós graduado em Direito Tributário e Legislação de Impostos. 

Dívidas? Como organizar suas finanças e sair do vermelho

Postado em: 06/06/2017

Tcharla Bragantin*

Só quem está endividado sabe como a situação é desesperadora. De acordo com dados do Serasa Experian, no ano passado foram mais de 59 milhões de inadimplentes no Brasil, dado impulsionado pela crise econômica e conseqüente aumento do desemprego. E ainda como conseqüência da crise a maior parcela dos gastos dos brasileiros são com alimentação, moradia e transporte (IBGE, 2017), o que faz com que outras dívidas, como por exemplo, parcelas de financiamento de automóvel, cartão de crédito e cheque especial sejam “postergadas”, ou seja, deixadas para serem pagas depois, ocorrendo a incidência de juros e multa.

As taxas de juros no Brasil são muito altas, a Taxa Básica de Juros (SELIC) está em 10,25% a.a., taxas de juros altas são ótimas para quem deseja investir, mas pode ser um grande problema para quem está endividado. Conforme o Banco Central a taxa do rotativo do cartão de crédito chegou em 422,5% a.a. em Abril, o que torna a situação preocupante para quem não consegue pagar suas contas em dia.

Pagar dívidas, antes de mais nada, é uma questão de organização, principalmente se forem muitas dívidas. Colocar o orçamento em dia é uma tarefa trabalhosa, no entanto necessária e o importante é dar o primeiro passo.

Para começar é essencial saber quanto está devendo. Liste todas as dívidas, até mesmo as de menor valor, somente assim é possível ter conhecimento da real situação.

Fazer um planejamento é essencial, colocar no papel todas as receitas (salários, rendimentos, recebimentos, etc.) e todas as despesas (todos os gastos, até mesmo os menores, o cafezinho, por exemplo). Hoje em dia há excelentes ferramentas disponíveis para auxiliar nesse planejamento: planilhas eletrônicas e até mesmo aplicativos para celular.

Identifique quais são as dívidas mais caras, pois são as que geralmente têm as taxas de juros mais altas e tenha coragem para enfrentar o problema: Renegocie!!! Peça juros mais baixos. Para as instituições financeiras é mais vantajoso oferecer uma renegociação com juros mais baixos do que ter um cliente inadimplente. Crie um plano de ação para quitá-las, sem esquecer, seus compromissos do dia a dia (aluguel, contas de luz, água, telefone, alimentação, etc.), que não dívidas, ainda, mas que se não forem pagas em dia, poderão se tornar.  A fatia máxima dos rendimentos que pode ser dedicada ao pagamento das dívidas, é de 30%, mais que isso pode ser arriscado em uma eventual emergência.

Estabeleça metas e se comprometa e se for possível, busque alternativas para aumentar a renda.

Cuidado com os cortes excessivos, não é viável sacrificar demais os gastos mais prazerosos, já que eles são importantes para manter a motivação e a qualidade de vida (inclua esses gastos no planejamento).

Por fim evite impulsos e planeje suas dívidas, quando são necessárias, as dívidas devem ser planejadas, pois quanto maior o valor financiado e o prazo de pagamento, maior também será a taxa de juros... Então antes de se endividar, tente juntar o máximo de dinheiro possível.

Até a próxima!

* Economista, professora, especialista em finanças, mestranda em Planejamento e Desenvolvimento Regional em Economia, Administração e Contabilidade.