Economia e Finanças



A coluna aborda de forma simples e direta assuntos de Economia importantes para o seu dia a dia. A coluna está a cargo da economista e professora universitária Tcharla Bragantin e do também professor universitário Juraci Marques, formado em Ciências Contábeis e pós graduado em Direito Tributário e Legislação de Impostos. 

O que aconteceu com o preço do feijão?

Postado em: 11/07/2016

Tcharla Bragantin*

Nos últimos meses o preço do feijão, um dos principais alimentos do tradicional prato brasileiro, disparou, prejudicando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras, que já vem sendo ameaçado há tempos pela crise, pela inflação e também pelo desemprego.

 De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o aumento do feijão tipo carioca, que é o mais consumido pelos brasileiros, foi de 54,1%.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, atualmente o Brasil é o maior produtor de feijão do mundo e 7 em cada 10 brasileiros consomem feijão diariamente, o que representa um consumo médio de 19 quilos de feijão por ano por pessoa.

Mas afinal, por que o preço do feijão aumentou tanto?

O principal motivo do aumento do preço do feijão foi o clima, a falta de chuva em algumas regiões brasileiras e o excesso dela em outras. Isso prejudicou as últimas safras e diminuiu a quantidade do produto disponível no mercado. E com menos produto disponível no mercado, o preço aumenta, pois o número de consumidores não diminuiu (ou pelos menos não era pra diminuir !!!).

Embora o Brasil seja um grande produtor de feijão, quase toda a safra produzida, é destinada a atender a demanda interna, ou seja, quase todo  feijão produzido no Brasil é para comercialização e consumo dentro do país. Conforme dados do IBRAFE (instituto Brasileiro de Feijão e Pulses) o consumo médio anual de feijão no Brasil é de 3,5 mil/toneladas por ano, no entanto, a estimativa de produção do feijão para o ano de 2016 (safra 2015/2016) é de 2,9 mil/toneladas conforme o CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento).  

Para tentar conter o aumento do preço do feijão, o governo zerou o imposto de importação com o objetivo de estimular a compra em outros países e assim diminuir o preço nas prateleiras dos supermercados, mas essa medida ainda esbarra no dólar e na alta tributação interna do produto.

A expectativa é que o preço do nosso tradicional feijão ainda deve seguir alto nos próximos meses, com perspectiva de melhora apenas a partir da  próxima safra (a depender do clima). 

Então as famílias brasileiras ainda terão que continuar fazendo malabarismos no orçamento para garantir o “feijão nosso de cada dia”.

Até a próxima !!! 

* Economista, especialista em Mercados de Capitais, mestranda em Planejamento e Desenvolvimento Regional nas áreas de Administração, Economia e Contabilidade. Expertise em Gestão e Gerenciamento Financeiro, Contábil e desenvolvimento de projetos econômicos com foco em resultados.  Consultora Financeira, Palestrante e Professora Universitária