Daniela Carvalho



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Daniela Carvalho, autora do Blog Encantes, é jornalista e adora escrever sobre estilo de vida, viagens e histórias do cotidiano, como forma de diminuir as distâncias e estreitar os laços de amizade. Sonha morar em Paris e escrever um livro de crônicas.

 

 

O Gato

Por Daniela Carvalho/ Blog Encantes
 

É estranha essa história de força da atração entre os opostos. Pois aconteceu há pouco tempo comigo, quando de forma totalmente inocente, eu “sequestrei” um filhote de gato cinza.

Não entendo nada de gato, aliás, eu sinto nervoso só em pensar no rabo dele próximo a minha perna, uiuiui... Tenho nervoso dos ossinhos pequenos, medo que pule em cima de mim com as unhas afiadas.

Caso de pura fobia!

Mas, o fato é que eu estava indo almoçar com algumas amigas e ouvi o miado desesperado de um gato que parecia um pedido de SOCORRO!

Não era um miado qualquer, era miiiiau miiiiau, miiiiau, enfim, um jeito choroso de miar. Eu sei que parece loucura, mas não encontro um jeito melhor de descrever.

Eu fiquei incomodada. Cadê? De onde vem? Quando olhei com atenção lá estava ele, um gatinho cinza, filhotinho, bem em cima da roda de um carro, que estava estacionado próximo à calçada.

- Putz, que gato mais doido, o que ele está fazendo lá?

Não consegui parar de pensar que o dono do carro poderia aparecer a qualquer momento e com o sol ardendo sobre a sua cabeça com certeza entraria correndo no veículo para se esfriar no ar condicionado (Não ouviria o miado absurdo do gato chorão) e...

A cena me paralisou e quando vi lá estava eu, abaixada em frente à roda e pedindo carinhosamente:

- Vem gatinho, sai daí.

O fato é que o Gato saiu correndo e... foi parar em cima da roda do MEU carro, que estava estacionado há poucos metros dali. (INACREDITÁVEL, MAS ACONTECEU).

Com tantos carros, como ele foi parar logo no meu?

Eu e minhas amigas ficamos olhando abismadas. Mas, deixamos pra lá e fomos almoçar.

Na volta, olhei bem as quatro rodas do meu carro e não vi o gato. Entrei, fiquei quietinha para ouvir o miado e NADA.

Liguei o carro e acelerei forte por alguns minutos só para me certificar de que ele não estava mais ali e quando tive certeza disso eu fui embora pra casa.

Mas, depois de algumas horas em casa, eu comecei a ouvir o miado do gato chorão. 

Impossível, não pode ser? 

Pensei até que eu estivesse alucinando, procurei pela casa toda, coloquei meus filhos e o meu marido à procura do GATO.

Até a vizinha ouviu o choro dele, pra você ver que o bichano sabia fazer barulho. Todos à procura do GATO.

Eu não entendia como ele tinha conseguido sobreviver à viagem da cidade até a minha casa. Se um gato tem sete vidas, ele já tinha perdido uma e eu não conseguia evitar de me sentir responsável por isso.

Achamos o GATO todo encolhido pertinho de uma planta.

E agora?

Eu não gosto de gato, mas me sentia responsável por ele estar ali, sozinho, com medo...

Nós tentamos manda-lo embora. Não dizem que o gato ama a sua liberdade?

Então, naquela hora eu tentava me convencer disso, mas por outro lado tinha medo do que poderia acontecer com ele que era tão pequenininho.

Quando tentei me aproximar, ele escapuliu. Pluft! Pulou para o terreno vizinho.

Ainda demos uma volta na rua, aquela altura eu já carregava um potinho de leite para atraí-lo, sabe como é...

Afinal, não é porque não gosto de gato que desejava vê-lo morto de fome.

Não que eu estivesse me apegando, espero que você entenda. Era apenas uma tática.

O fato é que ele não apareceu. Ignorou o leite.

Voltei pra casa e (ai meu Pai) o GATO estava lá. Novamente, em cima do muro, miando, chorando, sei lá...

Após algum tempo, minha vizinha desistiu e foi pra casa. Antes, me aconselhou a aceitar a situação.

- Gato escolhe a gente. Se for macho chame-o de Vitor Hugo e se for mulher de Maria Antonieta.

- Ã? Mas, esse Gato não pode ter me escolhido. Eu NÃO gosto de Gato. Afinidade ZERO.

Resolvi fazer um teste e deixei o gato ficar (não tinha muita alternativa mesmo...). Ele ficou pela casa por alguns dias. Quando eu o via, tentava enxotá-lo, mas ele fingia não me ver.

Se ele queria assim, tudo bem.

À noite, ele miava e chorava. Eu sentia o peito apertado.

Pensava que ele podia estar com saudade de casa, dos pais e dos irmãos.

- O que eu estou fazendo, ou melhor, o que eu fiz? Me tornei uma sequestradora de gato?

No 3º dia, eu já não aguentava mais a situação e levantei decidida a adotar o gato. Eu era a culpada e tinha que aceitar o destino e ser a mãe, ou melhor, a madrasta do gato.

Coloquei na cabeça que a minha fobia do rabo dele passando pela minha perna não podia ser pior do que ouvi-lo miar e tentar ignorar a sua tristeza. Seria uma madrasta boazinha.

Mas, aí aconteceu uma coisa: O GATO SUMIU.

Ele foi embora. E, por mais louco que isso possa ser, sinto a falta dele.

Ainda me pego pensando onde ele pode estar. Imagino-o correndo por aí com outros gatos, livre e fazendo muito barulho.

Será que eu fui escolhida por ele, como disse a vizinha, ou fui apenas um acidente de percurso?

Eu acho que fui os dois. Uma escolha e um Acidente de Percurso.

Mais uma vez comprovado: os opostos se atraem, mas é difícil dar certo. Neste caso, não deu.